sábado, 10 de abril de 2010
Roubar. Subtrair uma parte qualquer da metade do que não é nada, a não ser um pedaço qualquer de alguém. Matar. Subitamente apagar dessa vida um pedaço que é nada mais que uma parte qualquer da metade do que não é nada, a não ser um pedaço qualquer de alguém. Viver. Repetir todo o dia a tarefa de ser um a mais, uma parte qualquer da metade do que não é nada a não ser alguém. Morrer. Simplesmente sair dessa vida e deixar para sempre de ser um a mais e de ser uma parte qualquer da metade do que não é nada, a não ser alguém. Números, números, números. O que é, o que são, o que dizem sobre você. Essa não é a sua vida, essa não é a sua história. Sentir. Sente-se que a metade de vinte por cento dos vinte milhões de mulheres no mundo não sentem nenhum prazer. Saber. Sabe-se que o total de pessoas que sabem o que é o amor é igual a metade dos que já não sabem o que é amar. Falar. Fala-se que só metade dos homens que sabem falar realmente não falam aquilo que sentem. Pensar. Pensa-se que uma parte daqueles que pensam é só a metade dos vinte por cento que pensam naquilo que é bom para si. Números, números, números. O que é, o que são, o que dizem sobre você. Essa não é a sua vida, essa não é a sua história. /Papas da Língua
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