Julie e John
Este lugar, que já foi marco de tantos momentos bons, agora é o meu abrigo do mundo real, meu esconderijo secreto, é onde eu posso ser eu mesma, é onde eu não tenho medo de ter medo, não tenho medo de chorar, não tenho medo de sofrer, não tenho medo de imaginar minhas histórias com finais felizes ou não.
Quando ela o viu foi como se enxergasse o mundo pela primeira vez, sentiu suas pernas tremerem, seu coração disparar, ela não via mais nada ao seu redor, quando se deu conta do que estava acontecendo, perguntou-se como poderia estar assim por um estranho que se quer conhecia.
O tempo ia passando, até que Julie decidiu falar com John, o garoto que fez com que tudo parasse. Escreveu então em um pedaço de papel “sei, é estranho, mas você mudou a minha vida desde o primeiro momento que surgiu diante de mim”. Quando viu John, ela foi caminhando em sua direção e lhe entregou o bilhete, sorriu e saiu andando.
No dia seguinte ela estava no mesmo lugar de sempre e não viu quando John se aproximava, ele sentou-se em seu lado e lhe entregou um bilhete. Ela o abriu e enquanto lia as lágrimas rolavam por seu rosto, o bilhete dizia “você despertou em mim uma vontade de amar que eu nunca tive antes”. John levou a mão em seu rosto, enxugou as lágrimas que ali estavam e olhando em seus olhos, sorriu e lhe beijou.
Os dois então não se largavam mais, andavam juntos a todo instante, todos os dias. Mas Julie sabia que isso não podia durar por muito tempo, mas ela não queria que ele sofresse mesmo isso sendo inevitável.
Em certo dia ela estava esperando por ele no mesmo lugar de sempre, quando John chegou, ele lhe entregou um bilhete que trazia o seguinte recado “eu não queria te deixar, queria passar o resto da minha vida desfrutando cada segundo do teu lado, mas eu vou ter que ir embora”. Ela ficou em estado de choque quando acabou de ler, começou a chorar, o abraçou e começou a implorar ‘por favor, não me deixa, eu preciso de você, eu preciso muito de você’.
Julie tinha uma doença a qual não existia cura, ela sabia que não poderia ficar pra sempre com ele, mas agora quando viu que ficaria sem John sentiu como se sua vida estivesse acabando naquele momento, ela então o abraçou com mais força e quando ele percebeu Julie havia desmaiado em seus braços, ele ficou desesperado, não sabia o que fazer, mas ela foi despertando, ele então perguntou o que estava acontecendo. Ela sabia que não podia mais esconder aquilo dele, então contou tudo, disse que tinha pouco tempo restante e que precisava muito dele e agora. Ele por fim começou a chorar, não queria ir embora, muito menos agora que sabia que iria perdê-la pra sempre.
John tanto fez que por final, conseguiu ficar com ela. Então os dias foram passando, Julie continuava fazendo os tratamentos que já fazia antes, ela estava bastante debilitada, fraca.
Nas primeiras semanas John a acompanhava nos médicos, sempre carinhoso, sempre estava do seu lado. Mas de uns dias em diante ele andava distante, ela sentia a sua falta, sentia falta do seu John, dos carinhos que ele lhe fazia, dos abraços, dos beijos. Ela não sabia o que estava acontecendo e aquilo só a deixava pior, ela tinha medo de falar com ele e que as coisas pudessem ficar ainda piores. Então preferiu ficar em silencio.
A cada dia que passava ela ficava mais fraca, sem forças e com John distante daquele jeito, ela só piorava.
No dia em que completariam seis meses ela foi ao lugar onde o viu pela primeira vez, foi sozinha, queria um tempo só para ela, já não havia muito tempo restante. Chegando lá, ela sentou-se e se perdeu em pensamentos, de repente, ela nota um casal a certa distância se beijando. Ela então ficou estática, não acreditava no que estava vendo, era ele, o seu John, agora tudo fazia sentido.
Julie não sabia se corria, se chorava, se gritava. Mas por fim decidiu sair, não sabia se tinha forças para andar, mas, ela não podia continuar vendo aquilo.
Ela reuniu então as forças que lhe sobravam e saiu correndo para a casa, chegou aos prantos, ela sentia muita dor, não só pela doença, mas, ela estava em pedaços e sem força nenhuma, desmaiou. Tentaram acordá-la, mas, nada. Julie foi levada as pressas para o hospital, fizeram de tudo, tentaram reanimá-la, mas, já era tarde demais, essa história já tinha chegado ao seu fim.
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