Tenho dormido mal e acordado mal também. O sono não vem. Acordo muitas vezes durante a noite e os pesadelos voltaram. As noites são silenciosas demais. A sensação é de estar sufocado dentro de uma caixa, falta de ar e fobia. Minha cabeça não para. Penso para me livrar da angústia, mas o efeito é outro. O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo. Estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade, sei lá de quê! Sentir falta do que nunca existiu de verdade, apenas a ilusão cretina de segurança que a minha necessidade infantil de proteção criou. Como sempre afirmei, não é possível sentir falta de algo que nunca teve, mas acho que na verdade isso tudo é medo, medo do novo, medo do bom, medo de crescer, de se tornar realmente responsável por si, medo de fazer a escolha, medo do erro, da revolta, do arrependimento.
Não sou mais aquela menina que acredita no acaso, cresci, tenho que acreditar na conseqüência, afinal toda ação uma reação, cada escolha uma renúncia. É hora de encarar a realidade.Vou seguir minha vida, ir em busca de novos portos. Abrir bem meus olhos, e enxergar as belas coisas que a vida me reservou, correr riscos, crescer, buscar, escolher, optar, vivenciar, mudar. Agora vou tratar de encarar o novo com alegria, fazer os sacrifícios que serão necessários, brindar aos fracos, escrever para os amigos, me empanturrar de chocolate, ficar na internet até tarde, tomar banho de chuva, conhecer novas cidades, fazer novos amigos e traçar novos objetivos.
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